Snæfellsjökull National Park

Vento, chuva, frio.

Foi assim que o impronunciável Parque Nacional Snæfellsjökull nos recebeu na tarde desta sexta-feira. A gente torcia pela mudança de tempo, como dizem que é muito comum na Islândia, mas as nuvens insistiam em permanecer ali trazendo uma atmosfera cinzenta para a linda paisagem do oeste islandês.

Esse parque tem como principal atração as trilhas e escaladas para um vulcão e um glaciar, mas que não tínhamos tempo de explorar (e as condições climáticas também não eram das mais favoráveis). Então ao invés disso, contornamos toda a península pela costa através de uma única estrada, que tem várias paradas em mirantes e praias de pedras negras.

Foto clássica em uma estradinha no Snaefellsjokull National Park

Foto clássica em uma estradinha no Snaefellsjokull National Park

Tirar fotos nesse dia foi uma tarefa desafiadora, porque além do chuvisco que fazia a lente da câmera molhar, o dia estava escuro e o horizonte, branco. Mas ok, um fotógrafo nunca desiste por causa do clima, e não posso dizer que não tentei… hehehe

A nossa primeira parada foi em Arnarstapi, uma pequena vila de pescadores no pé da Montanha Stapafell. Ao fundo é possível ver uma série de cachoeiras no recorte que a ilha faz no mar; e ao lado a montanha, que estava encoberta pela nuvem.

Arnarstapi - Snæfellsjökull National Park

Arnarstapi – Snæfellsjökull National Park

Em seguida, passamos por Hellnar para encontrar um “Visitor Center” que havia fechado no final da temporada (Setembro), e seguimos em direção a Londrangar, que fica ao sul da península. Trata se de duas torres de pedra que compõem o cenário de uma praia de rochas vulcânicas.

Lóndrangar - Snaeffelsjokull National Park

Lóndrangar – Snæfellsjökull National Park

O vento soprava absurdamente forte. A gente pulava e dava impressão que voávamos por alguns segundos! Acho que nunca na minha vida consegui dar um salto tão longe como naquele dia. E o tempo horrível nos permitiu, pelo menos, apreciar o local sem absolutamente nenhum turista, e observar o mar agitado como não vimos em nenhuma outra foto no Google Imagens. Faça o teste você, jogue Londrangar no Google Imagens e encontrará uma paisagem com céu azul e águas calmas. Parece até outro lugar.

As pedrinhas pretas no chão eram um espetáculo a parte. Todas lisinhas, ovais, como se tivessem sido polidas uma a uma. Muitas, muitas delas!

Snaefellsjokull-national-park-londrangar-stones-elina

Elina e as pedras pretas de Londrangar

Seguindo a viagem, fomos parar em Djúpalónssandur, mais uma praia de areia negra. Descemos uma pequena trilha no meio de um campo de lavas petrificadas, e nos demos de cara com um mar nada convidativo. As ondas fortes chocavam-se contra as pedras imponentes, fazendo as gotículas de ar voarem por toda a parte. E aí começou a chover mais forte! =(

Djúpalónssandur - Snæfellsjökull National Park

Djúpalónssandur – Snæfellsjökull National Park

O intuito do dia era chegar em Grundarfjörður, e depois ver se iríamos ou não para Westfjords, a ilha mais ao noroeste da Islândia. Mas devido ao tempo ruim, decidimos encurtar o roteiro e dormir em Helissandur, logo no final do parque Snæfellsjökull.

Tentamos fazer mais alguns passeios no meio do caminho, mas foi só FAIL. A chuva forte atrapalhou, e a única coisa que conseguimos fazer no resto do dia foi uma trilha relativamente longa em Litlalón (uns 30 minutos de caminhada). Na verdade achamos essa trilha lá na hora, e como tinha meio que parado de chover, seguimos. No meio do caminho a chuva voltou forte, ficamos ensopados, e o final da trilha era uma ruína de uma casinha com um poema de Jón úr Vör numa placa. Não entendemos nada!

Bom, mas um poema escrito em islandês é sempre muito louco! hehehe

Vetrarmávur-Jón-úr-Vör-Snaefellsjokull

Vetrarmávur – Poema de Jón úr Vör no final de uma trilha em Litlalón

E assim terminou o dia. Encostamos o carro num estacionamento de escola em Helissandur e comemos um sanduíche dentro do carro. Estávamos ambos receosos. Chovia muito, ventava muito e o carro balançava tanto que parecia que ía tombar, o clima estava tenso. “Essa Islândia é para vikings”, pensamos… seria um grande desafio, caso a viagem prosseguisse nesse estilo bruto.

Em meio ao devaneio, começamos a refletir sobre o que estava ao nosso redor: uma ilha vulcânica, onde as sagas e lendas são recheadas de fantasias em que a magia da natureza é a protagonista em sua maioria. Neste momento, no questionamos: em que terra estamos nos aventurando? E então, percebemos que a natureza é como ela se apresenta naquele momento. Por vezes ela pode ser sutil como uma leve brisa no rosto, ou pode ser intensa como naquele dia.

Chegamos a conclusão de que naquele lugar a natureza teria o seu papel devidamente protagonizado, a sua energia sentida, e o seu estado de humor, respeitado. E foi assim que decidimos interagir com ela a partir de então.

A noite tensa e a nossa janta do dia dentro do carro

A noite tensa e a nossa janta do dia dentro do carro

 

Roteiro do Segundo Dia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s