Tjörnes, Ásbyrgi e o Nordeste Islandês

A meta do dia era conhecer uma das mais icônicas cachoeiras do Norte islandês: a Dettifoss. Era só seguir a Ring Road mais alguns quilômetros e se perder pela estradinha 864. Em 40 minutos estaríamos lá.

Mas essa é a beleza de uma viagem autônoma overlander. Pra quê o caminho mais curto se podemos ir pelo mais longo e aproveitar a estrada, não é mesmo? Por isso, resolvemos subir a estrada 87 para o Norte, partindo de Reykjahlíð, e ver o que tinha na península de Tjörnes.

Nos deparamos com um litoral típico islandês, todo recortado, com vários penhascos, ondas fortes e muito, muito vento! Era até difícil ficar em pé no extremo da península, com a água explodindo nas paredes de pedra logo abaixo, e com o vento teimando em te empurrar para o abismo.

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Vento forte na Península de Tjörnes. Nordeste da Islândia

O local é mais famoso no verão, quando os turistas vão para observar os Puffins. Fora da temporada, é um lugar extremamente deserto! Por todo tempo que estivemos por lá, não vimos uma alma viva se quer.

Seguimos viagem para uma rápida passagem em Ásbyrgi Canyon, um lugar que certamente voltaremos com mais calma em uma próxima viagem para lá. Trata-se de uma grande área de árvores e um lago verde-esmeralda rodeado por imensos paredões rochosos. Na mitologia islandesa, dizem que esse lugar foi formado pelas pegadas de Sleipnir, o cavalo de 8 patas de Odin. Só não sei onde estariam as outras 7 pegadas, mas beleza! haha

Existem várias trilhas lá dentro, e elas variam de 1 a 17km. A mais curta, que fizemos, demora cerca de 1 hora apenas, é bem fácil e vai até o lago, passando pela floresta, que no começo do inverno já estava ficando carequinha. Se tiver tempo, vale a pena explorar mais o local! Tem inclusive um campsite dentro do parque, que fecha no final de Setembro (já estava fechado quando fomos).

Lago Botnstjörn, em Ásbyrgi Canyon

Lago Botnstjörn, em Ásbyrgi Canyon

As folhas amarelinhas caídas na trilha davam pista de que o outono na região deve ser simplesmente espetacular. Enquanto a gente caminhava, imaginávamos todas aquelas árvores carecas carregadas de folhas outonais. Às vezes, uma ou outra se destacava na paisagem contrastando o amarelo vivo com a cor de madeira seca.

Uma árvore que resistia bravamente ao fim do outono

Uma árvore que resistia bravamente ao fim do outono

Pensamos em passar a noite no estacionamento do parque, mas apenas 40km e algumas horas de luz do dia nos separavam da Dettifoss. Logo, partimos para o próximo destino. Hoje imagino que teria sido mais prudente termos ficado ali em Ásbyrgi Canyon no conforto de um estacionamento ao invés de se aventurar tão tarde indo para Dettifoss, mas cada escolha nos leva a aventuras diferentes, e a dessa tarde foi inesquecível.

Já estava começando a escurecer quando nos aproximávamos da entrada da cachoeira. Por ser um ponto turístico famoso, o movimento de carros era mais intenso. Mas enquanto todo mundo estava voltando, a gente estava chegando. Os únicos.

Foi o tempo de vê-la lá de cima, fazermos uma pequena trilha até mais perto dela e começou a nevar. Bem fraquinho no começo, mas logo foi engrossando. A tarde ía caindo, os poucos turistas se retiravam às pressas, e a gente, recém-chegados, apreciava essa obra da Natureza.

Dettifoss vista de longe

Dettifoss vista de longe

Da Dettifoss existe uma outra trilha relativamente curta até uma segunda cachoeira chamada Selfoss. Definitivamente, não ía dar para fazermos tudo isso em segurança nesse dia, ainda mais por causa da neve, que deixava as pedras bem escorregadias. Resolvemos voltar para o carro e pensar no que fazer.

Uma opção seria voltar até Ásbyrgi Canyon, que tinha um excelente lugar de pernoite no estacionamento. A outra era voltar um pouco na estrada para Detifoss e pernoitar em um canto qualquer, visto que não era permitido o overnight no estacionamento da cachoeira. Escolhemos a segunda opção.

Paramos literalmente no canto da estrada, que já se confundia com o canteiro por causa da neve. Uma imensidão branca começava a se formar a nossa volta, cozinhamos às pressas e dormimos numa noite fria.

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Acordando a poucos quilometros da Dettifoss

Mas claro tudo tem sua recompensa. No dia seguinte estávamos sozinhos no raio de muitos quilômetros, e fomos os primeiros a dar bom dia para uma das cachoeiras mais visitadas da Islândia.

 

 

Roteiro do Sétimo Dia

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